Momentos & Desabafos


"Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro" - J. A. Gaiarsa


terça-feira, 28 de abril de 2009

"O poeta não morreu...

...foi ao inferno e voltou!"

Muita coisa aconteceu desde meu último post. Aventuras, paixão relâmpago, desilusão (pra variar), muito trabalho, duas viagens, um carnaval maravilhoso. Ah, o carnaval...Passei o carnaval na Bahia e é até redundante dizer que foi perfeito. Vou abrir um parêntese pra registrar que amo aquela terra e tenho absoluta certeza de que se eu tivesse nascido por lá hoje estaria perdida. Com todos os sentidos nos quais a palavra pode ser aplicada.

Mas sim...Andei meio desiludida, andei meio alegre, cheguei até a andar muito feliz e radiante, mas me faltava inspiração e resolvi dar um tempo. Não foi nada planejado. Simplesmente eu vinha aqui e não "tinha" o que escrever. Algumas vezes, senti um necessidade enorme de desabafar, mas me contive (não sei o motivo) e o resultado acabou sendo um vazio e um certo desapego ao blog. O que sei é que percebi que em momentos de crise ou de extrema alegria eu sou muito produtiva e quando a vida está morna falta alguma coisa. Faltou, inclusive, a vontade de vomitar, o que é imperativo de uma vida morna.

Então, acho que hoje estou voltando. Não sei ainda se será constante, mas sei que estou aqui.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E sempre e tanto...





Aos 28, algumas paixões, dois grandes amores e um excesso de desilusões depois, eu teria motivos de sobra para acreditar que se doar não vale a pena, que perde-se tempo e que ser egoísta é fundamental. Motivos pra ser amarga, azeda e inconformada. Motivos pra dedicar a minha vida única e exclusivamente a mim. E, ainda assim, eu prefiro ser eu.


E eu sou uma pessoa meio boba-romantiquinha-e-incurável. Eu me entrego, eu me dedico, eu acredito e...me ferro também. Mas não troco todos os sorrisos que um dia dediquei a alguém pela certeza de que não chorarei no dia seguinte.


E hoje só há uma certeza no meu coração: você se foi, mas eu faria tudo outra vez e de novo e quantas vezes fosse preciso e com a mesma intensidade e com o mesmo sorriso e com a mesma entrega e com todo o carinho que eu pudesse te oferecer. E depois de tudo, eu ainda continuo acreditando que se entregar a paixão não tem preço!


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Cartas na mesa



Há mais de um ano, fui com uma amiga na casa de uma senhora que joga cartas. Como não conheço muito bem sobre esse assunto e apesar de saber que na maioria das vezes é pura balela, eu sempre tive um certo receio, que quase beira o medo, dessas coisas, mas como minha amiga garantiu que a mulher acertava tudo e o meu coração estava num estado quase deplorável, resolvi arriscar e ver no que ia dar. Fui somente com a intenção de acompanhar a minha amiga, mas a mulher resolveu olhar pra mim e lançar uma frase que parecia que estava lendo meus pensamentos, então pensei e por que não?

E já que eu estava lá, eu queria saber sobre o amor. Queria que ela me dissesse tudo que pudesse ler naquelas cartas sobre a minha vida amorosa. E, pro meu desespero, ela conseguiu ler tudo o que eu não queria que ela tivesse lido. Disse que meu "caminho" estava fechado pro amor e demoraria muito tempo até eu o encontrar novamente, que passariam pessoas pela minha vida nas quais eu não poderia confiar e que eu pensaria ter encontrado muitas vezes, mas que eu estaria, em todas elas, errada. Disse também que era pra eu aprender a aproveitar as oportunidades e saber curtir se não eu poderia sofrer. Até tentei esquecer e acreditar que era tudo balela, mas não deu certo. Resultado: lágrimas no travesseiro. Filha da mãe. Maldita hora que eu inventei essa história. Idéia de girico, diria minha vó. Nem sei o que significa isso, mas ela diria e sei que cabe perfeitamente.

Esse causo me veio na lembrança porque lembrei que faz tempo e até agora nada de encontrar o amor novamente. Mas como ela disse que eu encontraria, iria demorar, mas eu encontraria e como, pelo menos até agora, eu não posso duvidar do que ela disse, eu continuo tendo esperança.

E como hoje é dia de Iemanjá e eu tenho um pézinho na Bahia, não custa nada fazer uma fézinha. Não vou poder mandar oferenda porque moro bem longe do mar, mas fico devendo e pagarei em breve. Quem sabe ela não se compadece, dá uma ajudinha e abre essa droga de caminho! Salve, Salve, Iemanjá!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

...

Fico pensando: o que prende uma pessoa a outra? Vejo as relações ao meu redor e dá pra contar nos dedos de uma das mãos aquelas nas quais se percebe o amor entre o casal. A maioria delas é apenas convívio, um comodismo visível que chega a ser incômodo. Não falo em paixão porque sei que com o passar do tempo as coisas mudam e ela se transforma. Falo de respeito, companheirismo, amor. A preocupação com o outro, a vontade de estar perto e não a falta de escolha e por isso ficar junto.
Bate uma tristeza toda vez que vejo um casal se "aguentando", trocando farpas na frente de outras pessoas, destilando insatisfações. Tristeza e inquietação. Penso se é possível viver o que eu tanto quero pra mim. Um amor de verdade construído com esforço, mas de forma respeitosa e sem que haja a necessidade de continuar ali mesmo quando o desejo já se foi. Penso que mais vale a pena esperar por um amor que nem se sabe se vai chegar, que viver uma vida monótona tendo que se contentar com um dia após o outro e viver desejando companhia mesmo não estando só.
Sim, eu sou feliz! E sei disso, mas hoje estou triste.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O que há...







O celular não toca. Nenhuma mensagem. Nenhum email na caixa de entrada.

Aqui só há um aperto no coração. Uma noite interminável. Um vazio na alma. Um frio no estômago. Uma angústia no peito. Lágrimas nos olhos. Muitas perguntas...e seu cheiro no travesseiro.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Isso não pode ser você




Eu não sei o que pensar. Há uma estranheza em mim. Não sei o que aconteceu. Ontem você estava aqui, entregue, meu. Beijos, palavras, prazer cheio de saudade. Eu acreditava em cada palavra sua. Tudo parecia tão verdadeiro. A entrega, a atenção, os beijos de boa noite, os abraços na madrugada, o beijo seguido pelo sorriso de bom dia. Parecia que você estava ali, comigo, junto, sentindo a mesma entrega, adorando as descobertas.

Os telefonemas inesperados, as mensagens espontâneas. Não era verdade? Onde eu estava que não percebi que era apenas uma nuvem. Onde eu estava quando você me alertou que não seria como eu imaginava? Eu perdi alguma cena, estava de olhos fechados ou você realmente esqueceu de me avisar? Avisar que era passageiro. Avisar que não era entrega. Parecia, mas não era. Avisar que você não estava ali, junto, comigo. Aliás, você até estava, mas não junto. Não comigo.
Não consigo entender como você diz me querer e duas horas depois você não está mais aqui. Nunca esteve?

Me recuso a acreditar que foi tudo em vão. Logo você. Quem me despertou, quem me mostrou que é possível sonhar mesmo depois de tantas lágrimas. Quem me chamou pra perto e me fez acreditar que sim, eu ainda posso amar. Ainda consigo dormir e acordar nos braços de alguém com tamanho prazer. Alguém não. Você! Nos seus braços, no seu peito. Depois de tudo, você foi o único a despertar em mim a vontade de estar junto, andar ao lado.

Mas agora você não está mais aqui. Você simplesmente abandonou o barco sem que nenhuma tempestade o tivesse ameaçando de afundar. No auge da minha entrega você finge não me ver. Eu não consigo entender. E, ainda, teimo em não acreditar que era tudo falsidade. E, apesar disso, não consigo encontrar uma outra palavra que possa simbolizar a sua ida dessa forma abrupta, sem sentido, sem razão, sem explicação. Ir por ir. Ir por não querer ficar. Mas eu ainda estou aqui e, não sei até quando, querendo acreditar que não foi ilusão. Não foi falsidade. Querendo acreditar que isso não é você. Pelo menos até a verdadeira verdade bater em minha porta e eu, pensando ser você, deixá-la entrar e me fazer companhia no seu lugar.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Eu apenas vivi




Desde ontem que tenho sentido um vazio, uma angústia. Fiquei me questionando de onde viria essa sensação e por qual motivo ela estaria me acompanhando. Não encontrei respostas nem sentido. Mas, já que é o último dia do ano, talvez seja bom pensar, como a maioria das pessoas fazem, numa retrospectiva e, a partir daí, tentar dar sentido a esse vazio.

Lembrei do período em que fiz terapia e que era corriqueira essa sensação de vazio. A cada descoberta, a cada nova angústia, esse vazio aparecia e tinha a leve missão de empatar meu progresso nas sessões. Empatar porque o vazio é o desconhecido, é o medo, é o "não-saber". E eu tenho sérias dificuldades em lidar com isso, mas em 2008, ele quase não me fez companhia.

A vida fluiu levemente, de cara lavada e alma quase exposta. Deixei acontecer e me permiti ser o que cabia. Ganhei ótimos momentos e boas lembranças. Permiti que as pessoas entrassem na minha vida. Permiti a mim mesmo ser mais leve. Permiti andar sem cautela. E quando imaginei que nao pudesse mais, a minha alma se expôs e, dessa vez, não se sufocou com as minhas dúvidas. Quando eu acreditei que ser sensata seria a atitude mais correta e, mesmo assim, me entreguei à insensatez, eu experimentei o êxtase da "permissão", da escolha. E, depois disso, quando eu tinha a quase-absoluta-certeza de que estaria despencando num novo abismo, descobri, me permitindo, que era apenas uma forma de dizer a mim mesmo: sou eu quem escolhe. Eu que escolho a ótica. Eu que escolho por onde caminhar e a qual sentimento essa minha caminhada vai me levar. Um abismo pode não ser sinônimo de queda. Um abismo pode ser sinônimo de entrega. Eu escolhi ver dessa forma. E foi a escolha mais adequada.

Eu poderia acreditar que o ano não passou de ilusão ou poderia acreditar que foi a mais leve entrega. E eu escolhi a segunda opção.

Assim, eu vivi 2008. Permitindo-me, entregando-me e vivendo. Não exatamente nessa ordem. E nem como a facilidade de transformar um ano inteiro em meia dúzia de palavras. Foi difícil, foi angustiante, foi cheio de dúvidas, mas consegui, em doses homeopáticas, incluir o "permitir-se" no meu mundo. Esse foi o maior feito, a maior de todas as conquistas nesse ano.

Talvez, depois desse post, eu tenha acabado de encontrar o sentido pra esse vazio. O ano está acabando e eu estou sem saber. Estou a horas de me entregar ao novo, à descoberta, ao desconhecido e isso mexe comigo. Mas não mais a ponto de me paralisar, a ponto de esconder o meu sorriso.

Que venha 2009! Cheio de ânsia, de sabor, cheio de amor e de novo.