Momentos & Desabafos


"Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro" - J. A. Gaiarsa


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Querendo ser Charlotte...



Apesar da minha vida, já há algum tempo, estar parecida com um daqueles episódios de Sex and the City nos quais a Carrie está sofrendo enlouquecidamente pelo Mr Big e acreditando que nada mais na vida vai dar certo, sentimentalmente falando, que nunca encontrará uma pessoa que a faça feliz e que a coisa mais difícil do mundo é se apaixonar mas que, ainda assim, quer viver uma história de amor, hoje o meu desejo era que o episódio-reflexo-da-minha-vida fosse um dia de Charlotte. Tá certo que a fase sofrida enlouquecidamente e apaixonada pelo Mr Big passou. Ponto pra mim! Mas a fase difícil de se apaixonar parece que está cada vez mais difícil de passar.

A maioria das minhas amigas estão vivendo seu episódio Charlotte. Encontraram o amor. Umas estão na fase dos planos durante o namoro, sonhando juntos, planejando o casório, as viagens, os filhos. Outras já casaram e estão curtindo a fase da casa nova passando horas vendo revistas de decoração escolhendo um novo móvel para a casa e sonhando, junto com seus respectivos, com o futuro, com os filhos. Outra amiga já passou por essa fase e agora, com a chegada do bebê, curte a fase da descoberta, da preocupação, das noites em claro, do choro compulsivo, a fase do 'o que eu faço com essa criança?'. E eu, de fora, acho tudo isso lindo. Claro que eu sei que nem tudo é tão lindo quanto aparenta aos olhos de meros expectadores como eu. Cada fase tem sua particularidade e dificuldade. Mas, ainda assim, como eu gostaria de estar vivendo uma vidinha a la Charlotte. Amor, casamento, filhos.

Fico a observar e vendo que o tempo está passando. A ânsia de casar e ter filhos ainda não me acompanha, mas a angústia por não amar alguém e, consequentemente, não ser amada tem me consumido ultimamente. Se eu estivesse amando alguém, talvez, e muito provavelmente, essa ânsia estaria me acompanhando mais de perto. É o lance das fases. Numa outra fase, outras expectativas.

Gosto da minha vida 'moderninha' de morar sozinha, ter minha liberdade e responsabilidades, dormir se eu quiser, não perguntar a opinião de ninguém, não adequar meus horários e atividades com os de outra pessoa, não ficar num sábado esperando a boa vontade do namorado voltar do futbol, não ter que perguntar de ninguém 'quer fazer tal coisa, tal dia, tal hora ou vamos...?' Sei que parece até contraditório, mas confesso que é disso que eu mais sinto falta na minha vida 'moderninha'. Ter pra quem ligar, quem avisar, com quem compartilhar. Não há nada mais gostoso que amar. Com todas as interpretações possíveis e imagináveis. Fico angustiada pensando se eu vou ter essa oportunidade. Namorar, casar, formar uma família.

Pra completar o soneto, ganhei um Santo Antônio de presente da minha tia. Recebi com a maior cara de paisagem. Não questionei nada porque acho que seria maior falta de educação, consequentemente eu pegaria maior ralho da minha mãe, mas fiquei pensando cá com os meus botões: Coitada deve tá tão ansiosa quanto eu. Segundos depois até me arrependi pela cara de paisagem, prestei bem atenção no que ela disse e fiz o ritual conforme ela recomendou. Pensando pelo lado bom da coisa, acho que ela acredita que essa é uma forma de me ajudar como ela pode. E pensar positivo pode até não transformar o mundo, mas uma ajudinha dessas é bom não dispensar.

Decididamente: casais felizes causam crise existencial. Ponto!

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